Satyro Alcides Marques

Foto: Satyro Alcides Marques. – Fonte: Cadernos Jaguarenses vol.3

Satyro Alcides Marques nasceu no dia 11 de junho de 1885, em Jaguarão. Filho de Satyro Marques e Cândida Silveira Marques.

Alcides viveu grande parte de sua infância e juventude em uma residência na rua XV de novembro, onde residiam seus pais.

Estudou o primário e o ginásio no colégio dos Padres Premonstratenses de Jaguarão. Concluiu o Científico no Colégio Nossa Senhora da Conceição, na cidade de São Leopoldo, local considerado o embrião de criação da atual Universidade Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS).

Em 1908 mudou-se para o Rio de Janeiro, que na época era a capital da república, para cursar medicina na renomada Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Sua tese de conclusão de curso recebeu observações importantes por mestres renomados da medicina na época.

Em 7 de agosto de 1920, ocorreu uma reunião da mesa diretora da provedoria da Santa Casa de Caridade de Jaguarão, onde o então provedor Gabriel Gonçalves da Silva solicitou a transferência da provedoria para o Dr. Alcides Marques, alegando motivos pessoais. A indicação foi aceita por unanimidade pelos integrantes da mesa. Sendo assim o Dr. Alcides Marques concluiu o mandato de seu antecessor até 20 de dezembro de 1920, quando foi eleita e empossada a nova composição da mesa diretora.

Exerceu a função de vice-diretor do Ginásio Joaquim Caetano da Silva a partir de sua inauguração, dia 15 de março de 1921.

Em 25 de junho de 1921, casou-se com dona Ilza Gonçalves Marques, filha do Coronel Rubens Gonçalves da Silva, e teve um filho, o Dr. Rubens Gonçalves Marques, que também foi um grande médico psiquiatra no município de Jaguarão.

Foi eleito presidente do conselho administrativo da Associação Protetora dos desvalidos (APD) em dezembro de 1922, o qual foi até 1935.

Em 1923, foi eleito presidente do então “Clube Harmonia Jaguarense”, atual “Sociedade Harmonia Jaguarão”.

Foi o último intendente municipal (Prefeito), exercendo o cargo de 1928 a 1930. Após a vitória da revolução liderada por Getúlio Vargas, foi indicado para permanecer à frente do Executivo jaguarense, tornando-se o primeiro prefeito municipal, permanecendo no cargo até novembro de 1932.

Ainda como intendente, em 1929, apresentou um minucioso e abrangente relatório contendo dados de um plano para instalação de uma rede de abastecimento de água potável no município. O projeto que foi assinado pelo Engenheiro Saturnino de Brito, já estava sendo analisado pela Secretaria de Obras Públicas do Estado. O plano foi efetivamente colocado em prática durante a gestão de seu sucessor na prefeitura, o prefeito João Alêncio de Azevedo, sendo inaugurada apenas em 1936, durante o mandato do então prefeito Hermes Pintos Affonso.

Ainda como prefeito, Alcides foi o anfitrião que recepcionou autoridades brasileiras e uruguaias que vieram ao nosso município para a inauguração da Ponte Internacional Mauá.

Em 1932, Alcides Marques solicitou sua substituição do cargo de prefeito, e após a confirmação de sua saída da prefeitura, foi organizada uma grande homenagem de despedida, que ocorreu no Clube Harmonia.

Alcides fez um memorável discurso na inauguração do “Asilo de Órfãs Felisbina Leivas”, que foi entregue a comunidade em 25 de dezembro de 1938, funcionando com dezessete internas.

Alcides participou ativamente na luta para a criação da Associação dos Criadores de cavalos Crioulos de Pelotas, participando de sua mesa diretora.

No ano de 1951, enquanto presidente da Câmara de Vereadores de Jaguarão, viabilizou a liberação de verbas para as obras de reforma e ampliação da Santa Casa de Caridade.

Após a notícia de que possuía um tumor maligno no intestino, Alcides foi para a cidade de São Paulo em busca de um tratamento mais avançado. Apesar de grandes investimentos e esforços em busca de sua cura, não resistiu e faleceu no dia 19 de outubro de 1954, em São Paulo. Seu corpo foi transladado para Jaguarão e sepultado no Cemitério das Irmandades.

No mesmo ano de seu falecimento, o Executivo Municipal prestou uma homenagem colocando seu nome na principal praça da cidade. Na década seguinte, também foi homenageado pela Secretaria Estadual de Educação, colocando seu nome em uma escola do município.

 

Referências Bibliográficas: Instituto Histórico e Geográfico de Jaguarão – Cadernos Jaguarenses. Volume: 3; Pág: 58 a 61. Autor: Vagner Pacheco dos Santos. (O livro Cadernos Jaguarenses Volume 3 pode ser adquirido no Instituto Histórico e Geográfico – R. Mal. Deodoro, 874 – Telefone: (53) 3261-9063)