Morre aos 83 anos, o Jaguarense Aldyr Schlee

O Jaguarense Aldyr  Schlee faleceu na noite desta quinta-feira, em Pelotas. Aldyr lutava contra um câncer de pele desde 2012, e passou por várias cirurgias, já que o problema havia se espalhado para outros órgãos, principalmente para o fígado.  Estava internado há aproximadamente 10 dias no Hospital Beneficência Portuguesa, em Pelotas.

Conforme informações da família, o velório ocorrerá nesta sexta-feira, a partir das 7 horas, no Memorial Pelotas Cemitério Parque. Já o enterro está previsto para às 17 horas.

 

Fonte: GE


Aldyr Garcia Schlee nasceu no dia 22 de novembro de 1934 em Jaguarão. Era escritor, jornalista, tradutor, desenhista e professor universitário.

Doutor em Ciências Humanas, publicou vários livros de contos e participou de antologias de contos e de ensaios.  Alguns de seus livros foram publicados primeiro no Uruguai. Traduziu a importante obra “Facundo”, do escritor argentino Domingos Sarmiento. Fez a edição crítica da obra do escritor pelotense João Simões Lopes Neto quando estabeleceu a linguagem.

Foi planejador gráfico do jornal Última Hora, reporter e redator. Criou o jornal Gazeta Pelotense. Ganhou o prêmio Esso de Jornalismo.Também fundou a Faculdade de Jornalismo da UCPel, de onde foi expulso após o golpe militar de 1934, quando foi preso e respondeu a vários IPMs. Foi professor de Direito Internacional da faculdade de Direito da Universidade Federal de Pelotas(UFPel) por mais de trinta anos, onde também foi pró-reitor de Extensão e Cultura.

Torcia para o Brasil de Pelotas, clube que chegou a ser tema do conto “Empate” publicado em seu livro “Contos de futebol”.

Criou o uniforme verde e amarelo da Seleção Brasileira de Futebol, mais conhecido como Camisa Canarinho. Em 1953, aos 19 anos, ele venceu 201 candidatos no concurso promovido pelo jornal carioca Correio da Manhã para a escolha do novo uniforme da seleção. Como prêmio, Aldyr ganhou o equivalente a vinte mil reais e um estágio no Correio da Manhã, no Rio de Janeiro, onde pode conhecer e conviver com figuras expoentes do jornalismo da época como Nelson Rodrigues, Antônio Callado, Millôr Fernandes e Samuel Wayner.

Recebeu duas vezes o prêmio da Bienal Nestlé de Literatura e foi cinco vezes premiado com o Prêmio Açorianos de Literatura. Em novembro de 2009 publicou “Os limites do impossível, os contos gardelianos” pela editora Ardotempo e em 2010, pela mesma editora, o romance “Don Frutos”, ano em que foi também destacadado com o Prêmio Fato Literário de 2010.

Tem três filhos, três netos e seu passatempo era o futebol de botão, cujo time “vestia” a camiseta do Esporte Clube Cruzeiro de Porto Alegre, com a escalação dos anos 60.